sábado, 20 de novembro de 2010

Consciência Negra: acesso à Educação

Proporção de pretos com curso superior é um terço dos brancos


Gilberto Costa

Repórter da Agência Brasil


Brasília – Alvo de ações contrárias no Supremo Tribunal Federal (STF) as políticas afirmativas de cotas para acesso às universidades públicas e privadas podem ter justificativa nos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo a última Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar (Pnad 2009), apenas 4,7% das pessoas autodeclaradas pretas com mais de 25 anos têm curso superior. O percentual dos ditos pardos é de 5,3% enquanto dos brancos é de 15% - mais que o triplo da porcentagem dos pretos.
Entre os atuais estudantes de 18 a 24 anos, o desequilíbrio é menor. O percentual de pretos e pardos universitários sobe, mas as estatísticas mostram que ainda é grande a diferença no acesso ao nível superior. “Enquanto cerca de dois terços, ou 62,6% dos estudantes brancos estão nesse nível de ensino em 2009, os dados mostram que há menos de um terço para os outros grupos: 29,2% dos pretos e 31,8% dos pardos”, descreve a Síntese de Indicadores Sociais do IBGE
Na comparação de uma década nota-se, no entanto, melhoria do acesso de pretos e pardos à universidade. Em 1999, o IBGE mediu que apenas 7,5% dos pretos e 8% dos pardos de 18 a 24 anos estavam na universidade, contra 33,4% dos brancos.
Nesse período, cerca de 90 universidades públicas e privadas aderiram a alguma forma de política afirmativa em favor de pretos ou de egressos do ensino médio público. Nos últimos dez anos, o IBGE também verifica “uma recuperação da identidade racial”. Conforme a Síntese dos Indicadores Sociais, o percentual de quem se declara preto passou de 5,4% para 6,9%.
Se os pretos são minoria nos estratos escolares superiores, a situação é inversa na base da pirâmide. Entre os brancos, 5,9% declaram-se analfabetos; enquanto entre os pretos e pardos esse percentual é superior a 13%. Se for considerado o analfabetismo funcional (menos de quatro anos de estudo), a situação mantém-se perversa: 25% dos pretos e pardos são analfabetos funcionais. Entre os brancos o percentual é de 15%.
A situação escolar de pretos e pardos também pode ser verificada na média de anos de estudo. “A população branca de 15 anos ou mais de idade tem, em média, 8,4 anos de estudo em 2009, enquanto a de pretos e pardos é de 6,7 anos”.
Historicamente, a baixa escolaridade tem reflexo na remuneração. O IBGE acrescenta que além desse problema, os pretos e pardos recebem menos que os brancos em todas as faixas de escolaridade. O percentual é de pelo menos 20% abaixo. No total, pretos e pardos ganham 40% menos que os brancos.
Os pretos e pardos no Brasil formam a maioria da população (51,1%). Segundo o IBGE, 44,2% dos brasileiros declaram-se pardos e 6,9% pretos.

Edição: Aécio Amado

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Erwin Kräutler, Dom de Deus e do Povo.

Bispo brasileiro está entre vencedores de Nobel alternativo

DA EFE

O bispo brasileiro nascido na Áustria Erwin Kräutler está entre os premiados pela fundação Right Livelihood Award com o prêmio conhecido como "Nobel alternativo", que premia pessoas comprometidas na busca e aplicações de soluções para os problemas mais urgentes do mundo atual.
O prêmio, criado em 1980 e que não tem ligação oficial com o Nobel original, será entregue em 6 de dezembro, no Parlamento sueco.
Kräutler, que é prelado do Xingu, no Pará, vive há mais de 40 anos na região amazônica, e atualmente preside o Comitê Indígena Missionário.
O bispo, que teve como companheira de luta a missionária Dorothy Stang, morta por pistoleiros em 2005, recebeu o prêmio por seu compromisso com os indígenas e a Amazônia.
Junto a ele, foram premiados o nigeriano Nnimo Bassey, o nepalês Shrikrishna Upadhyay (responsável pela organização Sappros) e a organização Médicos pelos Direitos Humanos, de Israel.
Bassey foi reconhecido por sua defesa do meio ambiente frente às petrolíferas; Upadhyay e a Sappros foram lembrados pela luta contra a pobreza; enquanto a organização israelense foi escolhida pela defesa dos direitos de atendimento de saúde de todos os israelenses e palestinos.
Os quatro premiados vão dividir um prêmio de 200 mil euros (R$ 460 mil).

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

EDUCAÇÃO PÚBLICA: "Estudantes e MST ocupam o latifúndio do saber"

Estudantes e MST ocupam o latifúndio do saber

Em 18 de Agosto de 2010


Os estudantes, com um mundo sempre mais generoso para eles, mostraram que o saber não está totalmente a serviço do poder e que nem todos são delinquentes que fazem fé de apolíticos, para servir a política do poder. Por Passa Palavra



Nesta terça-feira, 17/08/2010, a cantina desativada do Instituto de Artes da Unicamp [Universidade Estadual de Campinas, uma das mais importantes do Brasil] foi recuperada pelos estudantes de vários cursos desta universidade.
Ocupada inicialmente uma semana antes (e trancada e vigiada pela segurança da universidade), a cantina foi recuperada com uma pauta qualitativamente distinta de uma série de ocupações já realizadas em distintos momentos e em variadas universidades.
Recuperaram o espaço, dito público, para denunciar que empresa e sociedade não são sinônimos e que esta última tem como substantivo os excluídos (da terra, do emprego, dos direitos, da universidade). Estão na cantina para criar um espaço de outra convivência e outra sociabilidade, utilizando-a para a venda de produtos da reforma agrária e de outros processos que financiem a luta, para a discussão de temas que não se encontram nas grades curriculares e também com pessoas que não possuem registro acadêmico, pessoas que, contudo, estão na sociedade e sustentam a universidade, como os sem terra, os sem emprego, os trabalhadores terceirizados e precarizados…
Com este espírito, a recuperação da cantina ocorreu junto com trabalhadores do MST. Juntos, estudantes e sem terra construíram barracos de lona preta, plantaram mudas de árvores frutíferas e canteiros de ervas. Debateram as dificuldades e as necessidades das lutas para além dos muros da academia, para a melhoria das condições de vida da maioria da população.
Curiosamente, a recuperação do espaço foi beneficiada pelo fato dos vigilantes terceirizados estarem em greve pela falta de pagamentos, irregularidades de contrato de trabalho, perseguições e, invariavelmente, a demissão e renovação do quadro de funcionários após 3 meses.
Os agentes da repressão sendo reprimidos contestaram a ordem. Os estudantes, reprimidos e tolhidos constantemente, mas com um mundo sempre mais generoso para eles, mostraram que o saber não está totalmente a serviço do poder (capitalista) e que nem todos os acadêmicos são delinquentes que fazem fé de apolíticos, para servir a política do poder.
Uma tática antiga dos poderosos é lançar categorias profissionais umas contra as outras, minando sua unidade. Viu-se isso claramente na greve dos professores e funcionários das universidades estaduais paulistas neste mesmo ano. Os estudantes ocupados da Unicamp parecem ter aprendido esta velha lição ao tentarem na prática, e não meramente em seus discursos, distanciarem-se de reivindicações somente corporativas e, pelo contrário, ampliarem sua ação para a unidade de luta com movimentos sociais, como o MST, e setores populares.